Um olhar sobre as ideias por trás de muitas práticas de respiração, incluindo a expiração lenta, e sobre por que muitas pessoas gostam de alguns minutos de respiração.
A esta altura, talvez você tenha reparado num único padrão que percorre silenciosamente cada prática respiratória desta categoria: desacelere a respiração, prolongue a expiração, mantenha-se gentil e sem forçar, e muitas pessoas notam que o corpo começa a se acalmar. Isso não é coincidência, e não é simplesmente a tradição repetindo um velho hábito por inércia. Há uma fisiologia fascinante e cada vez mais estudada por trás de tudo isso, e compreendê-la pode transformar essas práticas, de atos de fé ou de esperança, em algo que você aborda com curiosidade informada em vez de confiança cega. Este artigo é a ciência que está por trás da respiração, e vale a pena conhecê-la.
O seu corpo funciona com um sistema de controle automático chamado sistema nervoso autônomo, e para os nossos propósitos ele tem dois ramos principais que funcionam muito como o acelerador e o freio de um carro. O ramo simpático é o acelerador: acelera o coração, tensiona os músculos, aguça e estreita o foco, libera hormônios do estresse, e prepara o corpo inteiro para lutar ou fugir de uma ameaça. O ramo parassimpático é o freio: desacelera o coração de novo, relaxa os músculos e cuida do trabalho de fundo silencioso e essencial da digestão, da reparação, do crescimento e do descanso. Numa vida saudável e bem regulada, esses dois ramos se alternam de forma suave e apropriada ao longo do dia todo. Sob condições de estresse crônico e implacável, porém, o acelerador fica efetivamente preso no meio do caminho, e o corpo raramente, ou nunca, passa totalmente para o seu modo de reparação e restauração.
Aqui está o ponto crucial. Você não pode simplesmente dar uma ordem consciente ao coração para desacelerar, nem mandar o intestino relaxar e digerir. Esses sistemas não aceitam instruções verbais diretas. Mas você tem um ponto de acesso notável, quase mágico, a todo esse sistema automático: a respiração. É a única função autônoma importante que também está totalmente sob o seu controle voluntário sempre que você escolhe pegar o volante. Pela respiração, você consegue chegar silenciosamente ao painel de comando que o resto de você não consegue tocar.
O protagonista de tudo isso é o nervo vago, o longo e errante nervo que transporta a grande maioria dos sinais parassimpáticos e calmantes de um lado para o outro entre o cérebro e os órgãos do corpo. E aqui está o detalhe mais importante de todos, o que explica quase toda técnica respiratória calmante já ensinada: o freio é acionado com mais força na expiração do que na inspiração. Quando você expira lentamente, a atividade vagal sobe e a frequência cardíaca baixa levemente; quando você inspira, a atividade vagal desce e a frequência cardíaca sobe outra vez. É exatamente por isso que cada prática calmante e de centramento, a respiração quadrada, a respiração alternada pelas narinas, a simples respiração lenta, todas elas, coloca a ênfase numa expiração longa, suave e sem pressa. Você está deliberada e habilmente apoiando o seu peso no próprio freio embutido do corpo.
Os pesquisadores medem a flexibilidade e a saúde geral desse sistema através de algo chamado variabilidade da frequência cardíaca, a sutil e saudável variação batimento a batimento do seu pulso. A respiração lenta e deliberada é uma prática antiga que muitas pessoas consideram útil para passar com suavidade entre o esforço e o descanso. Respirar num ritmo de cerca de cinco a seis respirações por minuto, muito mais lento do que as habituais doze a dezesseis em que a maioria de nós funciona, parece atingir uma espécie de ponto ideal ressonante, em que os ritmos naturais do coração e da respiração começam a se reforçar mutuamente, e o efeito calmante sobre todo o sistema fica no seu ponto mais forte.
Quando a Dra. Owusu, uma médica em atividade e muito ocupada, conheceu a respiração lenta pela primeira vez, ficou francamente cética; parecia simples demais e barato demais para importar muito às pessoas ao seu redor que se sentiam estressadas. Por isso decidiu experimentar primeiro em si mesma, fazendo cinco minutos de respiração lenta e deliberada duas vezes por dia, e notou, ao longo de algumas semanas, uma sensação crescente de calma e uma reação mais suave ao estresse do dia a dia. O que finalmente a convenceu não foi a teoria elegante, mas os dados simples que ela conseguia ler no próprio pulso. Começou a compartilhar a prática com amigos e colegas como uma ferramenta simples que podiam levar para todo lado, que não custava absolutamente nada e que estava sempre disponível no momento em que quisessem um instante mais calmo.
Você não precisa memorizar a anatomia nem lembrar os nomes dos nervos. A lição prática por trás de tudo isso é simples, duradoura e genuinamente libertadora: muitas pessoas acham que a respiração lenta e gentil, com uma expiração longa e suave, as ajuda a se sentir mais calmas e menos estressadas, sejam quais forem as suas crenças. Cada prática respiratória desta categoria é, no fundo, apenas uma porta diferente que leva a essa mesma fisiologia. Agora você entende por que elas funcionam. E, para a maioria das pessoas, esse entendimento acaba sendo exatamente o que finalmente as leva a praticar.
O SpirAI é um app de autorreflexão. Nada aqui prevê o futuro nem substitui o cuidado médico ou psicológico.
Leve para uma conversa o que você percebeu aqui. Começar é grátis e não é preciso acreditar em nada.
Baixe o SpirAI no Google Play